O Preço dos Combustíveis. A culpa é do Governo Federal!



É bem provável que enquanto você lê este texto, o Governo Federal já considere aumentar, novamente, o preço de algum combustível no Brasil. Pelo menos nos últimos dois anos, é isso que vem acontecendo. Mal nos adaptamos ao último reajuste e, o gás de cozinha e a gasolina já subiram de novo.


Não à toa, aumentou o número de brasileiros cozinhando em fogão à lenha ou optando por se deslocar a pé. Não apenas a pandemia da Covid-19 mudou nossas rotinas. O preço dos combustíveis também!


Mas você sabe dizer o motivo? Ouvimos do Governo Federal que o valor vem sendo alterado por causa do ICMS, um imposto estadual. Na visão de quem comanda o nosso país, a culpa é dos governadores. Será mesmo?




Nos dois últimos anos, o Governo Federal está se desfazendo das nossas refinarias – que desde 2016 vem reduzindo sua capacidade de produzir derivados propositalmente. Também já venderam a BR Distribuidora. Ou seja, estão tirando o time de campo. Não querem ser responsáveis pela cadeia produtiva de combustível. Assim fica fácil falar que a culpa é dos outros!


Com a desculpa de abrir o setor de combustível para o mercado, a atual gestão da Petrobrás e Governo Federal estão, na verdade, se eximindo da responsabilidade dos valores com que esses combustíveis chegam ao consumidor final. Não estão preocupados em controlar o mercado, porque não estão preocupados em quanto a gasolina ou o diesel vai custar para a população. Preferem lavar as mãos, mas, na verdade, estão sujando elas cada vez mais.


A atual política de preços adotada pelo Governo Federal para privilegiar as empresas estrangeiras. Conhecida como “Preço de Paridade de Importação - PPI” está implantada desde 2016 por decisão administrativa da companhia e prejudica o consumidor brasileiro e a economia nacional.


Para calcular o PPI, a Petrobrás toma como base o preço internacional do produto (diesel, gasolina, gás) nos EUA e soma: o custo do frete até o Brasil; o custo de internação no mercado brasileiro (porto, alfândega etc); o custo de transporte até as refinarias; o custo de seguro para garantir estabilidade do preço e do cambio e atribui um lucro.


Ou seja: o PPI é igual ao custo de importação mais um lucro. Mesmo sendo o combustível produzido aqui no Brasil com custos em reais!


Esta política eleva artificial e injustificadamente os preços no mercado interno, prejudicando o consumidor brasileiro e a nossa economia. E, assim, favorece que os produtores no exterior vendam seus produtos no Brasil, tomando mercado da própria Petrobrás.


Enquanto isso, a Petrobrás fica com suas refinarias na ociosidade. O dólar aumenta? A gasolina também! O preço do barril subiu? Outro reajuste. E assim, a cada interferência externa, outro aumento acontece.


E é exatamente por esse caminho que a ATUAL GESTÃO da Petrobrás e o Governo Federal vão continuar. Eles não querem se preocupar com a população. Não querem assumir responsabilidades.


Estão reféns dos acionistas e do mercado internacional, que pressionam por preços cada vez mais altos.




Em 2016, a Petrobrás adotou o Preço de Paridade de Importação (PPI) como modelo para definir o valor dos combustíveis no Brasil. Desde então, a cotação da gasolina e do diesel são dependentes do valor internacional do barril, da cotação do dólar, das taxas de importação, do custo do frete, dos impostos e dos lucros pretendidos pelas importadoras de combustíveis. A partir de então, as importações não pararam de crescer. Os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha também não. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2015, a importação de gasolina não ultrapassava o volume de 120 mil metros cúbicos. Dados de 2019 mostram uma importação de quase 5 milhões de metros cúbicos.


A atual Gestão da Petrobrás e o Governo Federal mudaram a forma de calcular o valor dos combustíveis e abriram tudo para a interferência do mercado internacional. Exatamente quando o país criava sua independência no setor do petróleo, a decisão do poder político e econômico foi de tornar nosso país totalmente dependente.


Ora, fica fácil, agora, culpar o mercado externo ou o ICMS como os responsáveis pelo aumento da gasolina e do diesel. Afinal, são anos fugindo de responsabilidades. Tudo planejado e pensado para privatizar, de vez, o mercado nacional do petróleo. E tornar nosso país ainda mais refém do mercado internacional.


Se assim seguirmos, a cada semana teremos novos aumentos nos preços da gasolina, do diesel e, até, do gás de cozinha. Até porque a produção de gás, assim como a distribuição dele, também está deixando de ser da Petrobrás, que segue vendendo suas unidades para o mercado. Ou seja, de quem é a culpa do preço do botijão não parar de subir?


Essa lógica de “privatizar tudo”, tão defendida pela gestão atual da Petrobrás e pelo Governo Federal, está fundada apenas no lucro de curto prazo. Querem dinheiro imediato com a venda das unidades da empresa, não querem as responsabilidades sobre o custo final dos combustíveis.


Dessa forma, não existe compromisso com o desenvolvimento nem com o país. Aliás, o mercado de refino, gás e combustíveis é aberto para quem tem o genuíno interesse em investir. Não é preciso dilapidar a Petrobrás para isso. Mas sai mais barato comprar algo já pronto, a preço de banana, ou investir do zero no setor do petróleo?